
Se gostam de projectos de horror indie então aqui vai Manny’s, um projecto desenvolvido por uma única pessoa, Bonesaw577, que está disponível em PC, Xbox, PS5 e Switch.
Afinal Qual é o Drama?
Somos Bryan. Um naufrago numa pequena ilha que não tem mais do que 4 ou 5 palmeiras dispersas pela mesma e um conjunto de 2 bancos de areia da mesma. No meio do desespero do mesmo em ter fome pois cocos não crescem todos os dias e peixes não picam a toda a hora aparece do nada um restaurante com o nome Manny’s do nada no centro da pequena ilha.
Quando lá entramos Tyler que é o único empregado visível diz que não nos pode ajudar muito além de nos oferecer uma refeição que se encontra paga com crédito e até aqui tudo bem. Quando regressamos noutro dia para tentar obter mais uma refeição desta vez existe mais um cliente, Victor, dentro do estabelecimento e Tyler diz que não temos mais crédito, o mesmo pega numa faca, gira a mesma entre Bryan e Victor e a quem a mesma parar ganha a vantagem de ter a mesma na sua posse para poder tentar ganhar crédito, nisto já devem de imaginar o que se segue, correria pela nossa vida em busca de uma maneira de sobreviver aquele duelo.

Mas isto é só um trecho que mostra um pouco a atmosfera do jogo envolto em mistério sobre de onde saiu este Manny’s, o que se passou antes na jornada de Bryan para ele acabar ali, de onde saiu, quem é Victor e o que fez ele para acabar ali e mesmo alguma elaboração sobre todo o ambiente que nos é apresentado e mais contexto em algumas cenas que nos são mostradas nas cutscenes.
O protagonista não se apresenta com grandes problemas de fazer certos sacrifícios, o bolo da nossa jornada é vivido nas cutscenes do jogo que apesar do aspecto geral desta experiência estão muito bem conseguidas até com as diferentes caras de emoções que Bryan vai demonstrando. Dito isto preparem-se para ficar muito à imaginação do jogador pois o foco vai ser no agora, no que se está a passar no imediato nesta jornada e não o que antecedeu, as origens do restaurante ou mesmo das figuras ligadas ao mesmo.

Corre e Agarra Naquilo!
Em questões de jogabilidade mais simples que isto só se não tivessem de carregar em nada. Aqui podem andar, não existe assim nada demais para fazer ou para explorar, podem saltar, agachar-se e agarrar ou melhor, apanhar objectos que precisem para alguma coisa e é isso.
Claro podem correr ainda e vão precisar ali num momento em particular da história mas de resto é só isso. O bolo da jornada não é realmente a exploração ou interacção com o ambiente em si a meu ver mas sim o ser uma jornada mais focada na sua vertente cinemática e utilização de sons e alguns efeitos visuais em momentos específicos para criar um ambiente complementar ao que as cutscenes nos entrega.

Aparte disso temos sim um minijogo de pesca que acaba a ser engraçado e se capturarem todos os peixes há lá algo que isso desbloqueia mas fica mais como uma atividade para dar um contraste mais animado à experiência de horror em si, que ainda além disto tem pouco desenvolvimento em termos de puzzles ou enigmas a resolver parecendo quase um walking simulador fora das sequências de vídeo.
Um Ambiente Visualmente Simples e Sonoramente Sombrio!
Todo o ambiente ou poucos ambientes em que a jornada se desenrola foram elaborados de maneira simples. As que nos são apresentadas mais para a frente como um sistema de cavernas que tem acesso por um alçapão dentro do restaurante acabam a ter alguma elaboração mais leve mas acabam.
Dito isto fora dai a ilha poderia ser um pouco maior e ter mais alguns níveis de interacção até de atividade poderia haver uma atividade de observação de aves exóticas imaginem em que num dos momentos podíamos avistar um avião do nada, teria sido algo engraçado dentro da temática da outra de pesca.

A desfazer um pouco este estilo minimalista podemos dizer que o aspecto saído de uma era da PS2 ou de transição entre a PS1 e a dita, ajudam a dar uma sensação menos acrescida do vazio visual pois em pixéis tudo parece mais preenchido a meu ver. Dito isto ainda assim gostei bastante das diferentes expressões faciais que os personagens podem ter, não esperava por isso, aliás esperava caras estáticas e aqui elas mudam para outras.
Em parte do som podemos dizer que certos grunhidos, sons de talvez movimento que não se vê e afins ajudam a criar uma atmosfera mais sombria, nisto em especial com a utilização de ambientes mais escuros e sombrios em certas alturas do jogo e mesmo em momentos em que alia a parte sonora com a parte visual em efeitos como alguma lâmpada a rebentar no sistema de cavernas com o movimento da água de alguém estar a caminhar nela. Existe aqui um bom uso no aspecto mais simples do jogo, com locais mais sombrios e o acréscimo da parte sonora.

Não vai ganhar nenhum prémio pelo aspecto mais elaborado do ano nem o mais estonteante, mas, entrega uma experiência visualmente engraçada, em momentos interessante com um regresso de certa maneira a outra época do mundo dos videojogos, um em particular em que a forma mais pixelizada favorecia a meu ver este género, dando vazão a visuais mais medonhos que não se vê particularmente aqui mas pode-se encontrar em outras experiências, ainda hoje Resident Evil 3 consegue manter-se bem em aspecto sombrio por exemplo.
A Conclusão sobre esta Jornada!
A experiência em si de Manny’s é curta mas agradável, talvez uma falta de mais puzzles para resolver, talvez um pouco mais de exploração e elaboração de história com mais alguma personagem fossem interessantes.
A jornada de Manny’s é muito curta portanto se procuram profundidade de história, uma experiência com mais longevidade e mais intrigante na parte de jogabilidade é melhor tirarem o cavalinho da chuva pois mesmo com múltiplos finais e o minijogo de pesca, este não é o jogo para vocês.
Já em contraste se apreciam experiências mais curtas, que deixam mais à imaginação do jogador e pretendem interagir com isto como uma short story com algum nível de interação então podem adicionar Manny’s à vossa wishlist!
Esta análise foi feita com uma chave gentilmente cedida pela AMATA K.K. .
Manny's: Se gostam de uma short story de horror que vos deixe dar asas à imaginação sobre o que foi ou será então de certo vão encontrar aqui algo para vocês, já se a vossa onda for experiências mais aprofundadas e complexas então esqueçam pois Manny's faz coisas bem, mas profundidade da experiência não é uma delas. – Édi Fernandes
